Mineração no Norte de Minas: escoamento com alto gasto de água em área de seca. Pode?


Apesar dos protestos de prefeitos da região Norte de Minas, entre os municípios de Grão Mogol e Rio Pardo de Minas, a mineração Minas-Bahia (Miba) formalizou a intenção de construir mineroduto para escoar a produção de uma jazida de minério de ferro calculada em 1,5 bilhões de toneladas, com um teor médio de 37% de ferro. A crítica ao mineroduto é o dispêndio de água numa região que enfrenta sérios problemas com seca e estiagem. A proposta de uma ferrovia subsidiada pelo Governo de Minas, aparentemente, foi descartada já que em notícia divulgada no Diário Oficial o governador Antonio Anastasia formalizou protocolo para investimento de R$ 3,6 bilhões na implantação de mina de minério de ferro e corredor logístico no Norte do Estado, mesmo com a afirmação da Miba de que vai construir o mineroduto.



Os técnicos da Miba afirmaram que o escoamento com mineroduto é mais barato e, com isso, aumenta-se a possibilidade comercial do minério de ferro. Os prefeitos locais, entretanto, manifestaram preocupação e alegaram que a estrada de ferro poderia beneficiar o transporte de outros produtos e diversificação da economia na região, que não ficaria dependente dos 15 mil empregos que a Miba promete gerar. (Fonte: IOF-MG)

3 comentários:

Grupo Ambiental de Santa Bárbara disse...

O problema do consumo excessivo de água para transporte do minério de ferro em minerodutos é um problema que está necessitando urgentemente de discussão, principalmente na grande mídia.

O primeiro mineroduto construído foi o da Samarco, ligando Mariana(MG) ao Espírito Santo. Isso aconteceu na década de 70. A água necessária para escoar o produto é retirada desde aquela época da bacia que abastece a cidade de Mariana.

O segundo mineroduto foi construído na década passada e também engoliu o resto de água disponível na bacia dos rios de Mariana.

Para a construção do terceiro, considerando que em Mariana a capacidade de captura esgotou, a empresa pretende retirar a água na bacia hidrográfica ao lado - na cidade de Santa Bárbara (MG).

Falta água lá e eles buscam na cidade vizinha. Vê se pode uma coisa dessas.

Sugiro que leia os artigos http://www.onggasb.com.br/2010/02/projeto-de-expansao-da-samarco-poe-em.html e http://www.onggasb.com.br/2010/02/mineracao-ameaca-agua-no-parque-do.html - Neles explicamos melhor a jogada que pretende ser feita.

A questão mais importante de ser levantada é a sustentabilidade deste tipo de empreendimento.

a) Ocorre uma transposição dos rios, deixando todas as cidades por que esse fluxo d'água passaria sem quantidade suficiente de recurso hídrico. Destaco que a captação geralmente ocorre nas cabeceiras, regiões que também são fortes em jazidas de Minério de Ferro;

b) E os minerodutos futuros? Onde eles irão retirar água?

Fica a dica. Pesquise o assunto. O problema é grande e deve ser debatido.

Desde já parabenizamos pelo seu trabalho. A Serra do Gandarela também agradece, uma vez que vc foi uma das primeiras a levantar a questão da defesa do local.

Derico disse...

Frederico Mariano
Estudante de Engenharia Elétrica,Universidade Federal de Uberlândia.
Com os investimentos de mineração na região do norte de minas,o progresso virar com muita mais rapidez,trazendo muitas oportunidades para todos inclusive para min.
O problema da falta de água para o mineroduto, com certeza será resolvido, se a água vier do rio São Francisco.

Hélvio L. Araújo disse...

Sou presidente do CMDCA _ Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Taiobeiras - MG; tenho certeza de que o mineiro será uma evolução para a nossa região, problemas vamos ter, pois toda mudança mexe nas coisas que estão solidas, mas o que não temos para ceder as mineradoras é nossa escassa água, o maior tesouro do nosso futuro, que gaste o dobro numa ferrovia, mas o que não podemos aceitar são nossos bolsos cheios de dinheiro e nossas crianças no futuro comprando água.
Vamos refletir antes que aconteça.
Hélvio L. Araújo