Escrevi essa resposta a um amigo querido e resolvi postá-la aqui.
Pergunta:
Eu queria saber com vc se sabe de algum estudo ou pesquisa realizado com crianças veganas ou vegetarianas sobre o crescimento e amadurecimento do sistema nervoso central.....hoje fiquei tentando falar com meu pai sobre vegetarianismo e ele queria me provar de todo jeito que a carne é importante para crianças até os 7 anos de idade pois supostamente ajuda a "maturar" ou desenvolver o sistema nervoso e tal... Você sabe de algo a respeito ou tem algum lugar para me indicar a pesquisar?
Resposta:
Não há motivos para acreditar que a carne é fundamental para o desenvolvimento do sistema nervoso. Os vegetais são fonte confiáveis de proteína, ferro, cálcio e zinco. Frequentemente os níveis de cálcio e todas as vitaminas são superiores nos vegetarianos e veganos do que nos carnívoros. Anemia é tão comum nos vegetarianos quanto nos carnívoros (um terço da população mundial sofre com anemia). Nunca existiu ninguém que morresse por falta de proteína, simplesmente porque comendo 3 castanhas ou um pouco de feijão por dia podemos conseguir toda a proteína que necessitamos. Na verdade, muitas doenças como gota, insuficiência renal, osteoporose e câncer estão ligadas ao padrão de excessivo consumo de proteína existente em nossa sociedade (carne e laticínios são fontes de proteínas comuns em todas as refeições de indivíduos não vegetarianos o que sobrecarrega os rins responsáveis por eliminar a proteína em excesso que circula no corpo).
A única vitamina que ainda se questiona se é possível conseguir de fontes vegetais é a B12. Isso porque ela é produzida por bactérias. Antigamente, quando não se usava a esterilização com cloro e processos de alta temperatura, essas bactérias existiam naturalmente no ambiente. Mas hoje em dia é comum haver pessoas com falta de Vitamina B12 e isso está diretamente conectado com problemas no sistema nervoso central. Só que não existe nenhum estudo que mostre se a carência de B12 é mais comum em vegetarianos ou carnívoros. Há tanto vegetarianos quanto carnívoros com falta de B12. Não se pode atribuir carência de B12 a uma dieta vegetariana. Além do mais, é uma vitamina necessária em doses muito micro. Muitos dizem que o problema é muito mais o organismo estar tão intoxicado por uma má alimentação (incluindo não só carnes, mas laticínios e refinados) que não consegue absorver o pouco de vitamina B12 que precisa.
O CRN3 (Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª. Região) acabou de reconhecer a viabilidade da dieta vegetariana e agora os nutricionistas não poderão mais dizer que a dieta vegetariana é inviável para seus clientes.
Gostaria de falar um pouco sobre a atividade política que tem me seduzido ultimamente. Quero fazer um relato jornalístico disso: essa é a investigação que eu faço há anos no meu corpo. Por jornalismo, por favor, não deduza imparcialidade. Isso não existe. Ao falar que precisamos comer carne e leite para garantir nossas necessidades nutricionais diárias, os jornais e a TV não estão sendo imparciais. Não sejamos ingênuos.
Não como carne, e também busco não consumir quaisquer produtos de origem animal como leite, queijo, ovos, mel e couro. Evito produtos industrializados de grandes marcas, pois praticamente todos são testados em animais. Atualmente, posso considerar-me vegan.
Sinto-me muito bem. Há muito tempo não apresento doenças comuns que todo mundo costuma ter como gripe, problemas digestivos e baixas no sistema imunológico. Meu intestino funciona muito bem e regularmente, enquanto vejo muitas pessoas acharem normal não fazerem cocô todos os dias, ficando literal e emocionalmente enfezadas.
Comer animais é natural para o homem?
Com fome, escolher entre uma maçã ou matar um coelho? Seria o ser humano naturalmente carnívoro?
Sofrimento animal: uma causa
Não é mais possível fecharmos os olhos aos maus-tratos com os animais. Há pouco mais de 100 anos a humanidade ainda tratava como seres inferiores os escravos. Eles não eram vistos como almas a serem respeitadas. Hoje o mesmo paradigma se apresenta no caso dos animais.
Delicioso?
Filmes indispensáveis para qualquer cidadão que queira entender como nosso sistema de produção mascara e cria ilusões sobre nossas reais necessidades são os documentários do Instituto Nina Rosa.
Atenção pois esse video tem 6 partes. Não deixe de assistir as partes seguintes, que são as mais importantes.
Cientistas, estudantes e abatedores chegam a achar normal procedimentos como a debicagem dos pintinhos, afastamento dos filhotes de suas mães, os cortes e sacrifícios em série. A humanidade precisa mesmo disso? É necessário?
Achar normal que uma vaca fique grávida a maior parte de sua vida, com as tetas cheias 3 a 4 vezes mais do que o que seria para alimentar apenas seu bezerro, tão pesada que pode ter mastite e inflamações, vivendo uma expectativa de vida inferior a de uma animal livre e vendo seu filhote mamar menos para que seu leite abasteça os humanos, único animal na terra que consome leite de outras espécies. Não é natural sermos assim.
Somos bons por natureza. Não é a toa que, como disse Paul Maccartney, os abatedouros não tem paredes de vidro e que sequer podemos filmar ou ver o que lá acontece. Sentimos compaixão, sentimos amor pelos animais. Sabemos que eles sentem dor, pois podemos olhar em seus olhos. Eles são como nós. Ao sentirem que serão assassinados, os animais entram em midríase, suas pupilas dilatam, uma grande carga de adrenalina, o hormônio do medo, é jogado em sua corrente sanguínea. E as pessoas ingerem isso.
Quanto mais alto na cadeia alimentar, maior é o acúmulo de substâncias e metais pesados no corpo. Os índices crescem exponencialmente desde as algas e planctons, acumulando-se muitos mais nos animais do topo da cadeia alimentar. A medição de mercúrio chega a ser 300 vezes superior nas baleias, golfinhos e peixes. Os agrotóxicos estão muito mais acumulados e concentrados nas carnes e nos animais do que nos vegetais. Isso quem falou foi o Doutor Márcio Bontempo, médico com anos de experiência, que eu vi num documentário.
Outro filme a assistir é o "Não Matarás" que fala do uso de animais em pesquisas científicas e testes de cosméticos e drogas. O mais inocente xampu pode ter sido cruelmente testado em animais. Os cientistas inoculam os elementos tóxicos, desde produtos de limpeza a agentes causadores de doenças. Nos olhos dos coelhos são injetadas substâncias e observadas as reações, que incluem inflamações e até cegueira. Vamos nos permitir usar produtos que compactuaram com o sofrimento de animais? Precisamos disso como humanidade? Nossa ciência, lugar supostamente mais alto ao qual conseguimos chegar, precisa realmente disso; de tratar os animais, inocentes criaturas, como trapos?
NÓS NÃO PODEMOS MAIS FECHAR OS OLHOS.
ASSISTAM A SEGUIR "NÃO MATARÁS".
Cálcio, ferro e proteína: os vegetais são fontes mais confiáveis
Ao contrário do que prega a mídia de massa e a opinião comum, laticínios roubam cálcio do corpo. Um corpo cheio de proteínas animais (leite, queijo e carne) é um corpo lutando para digerir uma quantidade excessiva de aminoácidos (a proteína não é uma cadeia de aminoácidos?). Por consequência, o sangue também fica ácido, um meio propício para infecções, inflamações e doenças. Um corpo assim tem que produzir muito HCl (ácido clorídrico) para digerir as proteínas animais. Na iridologia, o ponto no nosso olho onde se vê como vai o nosso estômago envolve a pupila, que é a região vinculada à estrutura de nossa coluna vertebral. A acidez no estômago está intimamente ligada com o corroimento de nossos ossos. Conforme um artigo dos pesquisadores sob o pseudônimo de Dr. Soleil, que você pode ler aqui, as proteínas em excesso no nosso corpo são eliminadas, o que sobrecarrega os rins e o fígado que precisam usar grande quantidade de cálcio nesse processo, mineral que é então retirado diretamente de nossos ossos.
É muito importante ingerir grãos integrais pois é na casca que se encontra sua riqueza. Os grãos refinados (ex: arroz branco e massas brancas) não contém vitaminas e minerais, podendo ainda atrapalhar a absorção de nutrientes pelo corpo. Segundo o Doutor Mark Sircus, muitas das doenças diagnosticadas em nossa sociedade tem a ver com a carência de magnésio, causada não por uma deficiência desse mineral mas por uma dificuldade de absorção, relacionada com o consumo de grãos refinados.
Segundo o nutricionista George Guimarães, no documentário "Olhe nos Olhos", os países com maiores índices de osteoporose são os países que mais consomem proteína animal: Suécia e Finlândia. Nunca se viu um vegetariano com carência de proteína. A ideia de que precisamos consumir carne para nos fornecer proteína é um mito. Podemos obter proteína suficiente para nossas necessidades diárias num simples prato de arroz integral ou algumas castanhas. Animais herbívoros, como o cavalo e a vaca, também precisam de proteína para formação de seus músculos, são tão ou mais fortes que nós e conseguem completar suas cadeias de aminoácidos nutrindo-se exclusivamente de fontes vegetais.
Vegetais verde-escuros num delicioso suco verde nos abastecem com todo o ferro, cálcio e zinco de que necessitamos. Frutas também contém cálcio. Melado de cana -o açúcar não-refinado- também está cheio desses nutrientes, enquanto que o açúcar que consumimos é apenas uma bomba de carboidratos sem nenhum nutriente e branqueado por processos químicos. Aliás, os refinados (açúcar branco, farinhas brancas, arroz branco), dizem alguns médicos, sugam o magnésio de nosso corpo, causando-nos déficit de minerais.
Não é a toa que algumas doenças que nunca existiram na história da humanidade surgiram nos dias de hoje: diabetes, osteoporose, hipertensão.
Por que então os supermercados estão cheios de alimentos processados, mortos, cheios de aditivos e conservantes, testados em animais, feitos com animais? -Atenção para os corantes de iogurtes de morango retirados de insetos mortos.-
Hipócrates, o pai da medicina, já dizia "Seja o alimento o teu remédio e o remédio o teu alimento". Por que estamos então, milênios depois, comendo a doença que depois vamos tratar com substâncias causadoras de mais doenças (analgésico, antibióticos e DROGAS, vendidas nas DROGARIAS)? Por que estamos nos DROGANDO?
B12 e nutrientes
Segundo nutricionistas como Eric Slywitch, George Guimarães e médicos como Alberto Gonzalez, vegetarianos costumam ter menos riscos de contrair câncer, especialmente do intestino, e muitas vezes melhores índices de ferro e outros nutrientes no organismo. Nenhum nutriente falta à dieta vegetariana. Cálcio, ferro, proteínas e todos os outros elementos podem ser obtidos de fontes vegetais: folhas verde-escuras, castanhas e oleaginosas, feijões, cereais integrais, frutas.
A vitamina B12 é o único elemento que não pode ser obtido exclusivamente de produtos vegetais. Mas isso é devido à esterilização dos ambientes que veio com o advento da industrialização. Antigamente, ingeríamos B12 proveniente de bactérias nos próprios alimentos. Bactérias boas. Alimentos mortos, industrializados, matam tanto as bactérias ruins como também as boas bactérias, que precisam viver em nosso intestino para contribuir na completa nutrição do nosso corpo. Não é a toa que pessoas com diarréia costumam comprar suplementos nas farmácias para recolonizar de bactérias os intestinos. Coisa que deveria existir naturalmente em nós se nos alimentássemos conforme nossa natureza: alimentos crus, alimentos vivos, não industrializados, grãos integrais, não refinados, não-polidos e não tratados quimicamente.
" A eliminação da carne de uma dieta correta tem uma base inteiramente científica. Essa espécie de alimento contém ácido úrico venenoso, purina tóxica em excesso para que seja componente saudável de tal dieta. Além disso, deteriora a flora intestinal. Thomas Jefferson escreveu sobre os que comem carne: "Imagino que deva ser a qualidade de alimento de origem animal ingerida; que torna seu caráter insensível à civilização. Suspeito que a reforma deva ser executada nas suas cozinhas e não nas suas igrejas, e que os missionários desse gênero conseguiriam mais do que aqueles que se esforçam para amansá-los através de preceitos de religião e filosofia". No homem, o instinto assassino é indiretamente conservado vivo pelo seu apetite por carne. Os homens suplicam ao Senhor, com preces lamentosas, por ajuda compassiva ou perdão benevolente e, no entanto, nem por um momento pensam que eles próprios não têm misericórdia para com criaturas inocentes que são criadas e abatidas para seu proveito." Paul Brunton - jornalista e pesquisador de yoga e espiritualidade do início do século XX.
"Todo aquele que percebe a inferioridade de seu ambiente em relação ao que poderia ser, assim como a imperfeição de sua natureza à Luz de suas possibilidades não desenvolvidas, e que se propõe a melhorar o primeiro e sanar a segunda, deu o primeiro passo para a busca... Num dia decisivo, ele vai perceber, com pesar, que está preso pelas atividades externas como se fosse por um polvo. Vai então empunhar a faca da determinação penetrante e implacável e cortar de uma vez por todas os tentáculos que o prendem... Os que se interessam por idéias avançadas o suficiente para persegui-las a despeito do desprezo social, assim como os que têm coragem para explorar o que está além das idéias já aceitas, tornaram-se um contingente significativo de buscadores... A massa é apática diante da Busca: os pobres por uma série de razões, os ricos por outra. Apenas os poucos capazes de ter juízo individual, os pensadores independentes e ousados, serão capazes de se destacar da massa... Ele vai precisar de muita coragem para a Busca, porque será confrontado por dois inimigos poderosos. Um é ele próprio; o outro, a sociedade. No interior de si mesmo, vai ter que travar batalha contra os grandes desejos. No interior da sociedade, vai ter que lutar contra as grandes tradições... Não são muitos os que estão prontos para essa independência de atitude e de vida. É necessário, antes de tudo, certa força interior e, evidentemente, uma disposição natural ou adquirida para desertar do rebanho se necessário."
(Paul Brunton)
Não, não temos que fazer mais hidrelétricas. Nem sequer necessariamente precisamos de mais energia do que temos hoje, pelo menos não a médio e logo prazo, se usarmos tecnologias mais eficientes. Mas se nos esquecemos que todas essas coisas na verdade são escolhas e não necessidades, isso é porque a mentalidade de querer sempre mais foi tão profundamente inculcada em nós. Na década de sessenta, as pessoas diziam que queriam um mundo melhor. Hoje, a cantora Claudia Leitte reflete as aspirações de grande parte da sociedade quando diz, num comercial na televisão, “eu quero mais”, se referindo a algumas bugigangas de celular. O querer mais, de certa forma, sustituiu para muita gente o querer o mundo melhor, nesta época tão sem utopias. Sempre mais, nos dizem - temos que querer mais, como aquelas pessoas sorridentes na televisão sempre querem mais. Eu, que nem celular tenho, e sou muito feliz assim, não consigo me livrar da pergunta: a gente quer mais ou quer ser feliz? É curioso, e quem sabe valioso, notar que em vários estudos realizados não houve correlação entre a felicidade e o PIB per capita dos países. Quem sabe porque, como disse uma vez Robert Kennedy, “O produto interno bruto mede tudo, em resumo, menos aquilo que faz a vida valer a pena.”
Mas será que nós, os ambientalistas, queremos só criticar, ou temos alguma alternativa para oferecer? Existem, sim, várias alternativas já propostas ao nosso modelo atual de desenvolvimento baseado em crescimento contínuo, que é tão obviamente insustentável. Seria longo demais descrever essas alternativas aqui, mas um punhado de brilhantes livros recentes - “Economia para um planeta abarrotado”, de Jeffrey Sachs, “Nossa escolha”, de Al Gore, e “Quente, plano e lotado”, de Thomas Friedman - são todos altamente positivos. Eles apresentam soluções criativas e inovadoras para os problemas do mundo atual, e alternativas para obter uma nova economia estabilizada, que seja verdadeiramente - e não apenas em discurso vazio - sustentável. Não por coincidência, todos eles defendem economias onde o objetivo não deve ser mais meramente maximizar a quantidade do que é produzido, mas sim a qualidade de vida, entendida de uma maneira muito mais ampla, da qual um ambiente saudável é componente essencial.
“Nada tem que ser feito” é muito diferente de “não temos que fazer nada”. Temos, sim, muitíssimo que fazer. Mas isso não quer dizer que hidrelétricas ou o que quer que seja precisem ser feitas. Temos outras escolhas, se formos capazes de vê-las.
Será que a gente precisa mesmo de mais hidrelétricas e menos biodiversidade nesse mundo? É esse o mundo que a gente quer? Eu só sei que esse não é o mundo que eu quero. Precisamos urgentemente aprender a pensar menos em quantidade e mais em qualidade: na qualidade das coisas que usamos, na qualidade ambiental, na qualidade das nossas vidas. Quantidade não é tudo. Mais nem sempre é o melhor.
Fernando Fernandez é biólogo, PhD em Ecologia pela Universidade de Durham (Inglaterra). Professor do Departamento de Ecologia da UFRJ, seu principal interesse em ensino e pesquisa é a Biologia da Conservação.
Fonte: O Eco
No dia 10 de junho, às 19h, Fernandez ministrará palestra "O Mito do Bom Selvagem", evento realizado pela Amda no auditório do CREA-MG (Av. Álvares Cabral, 1600, andar 1S - Santo Agostinho). As inscrições são gratuitas. Para mais informações: eventos@amda.org.br
Recebi o artigo acima reproduzido em parte aqui no blog no Informativo da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda).
Ele faz uma crítica a uma pessoa que defende a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte sob o argumento de que é uma energia limpa e de que não há opção para nossa sociedade além de esolher o menos pior, no caso, a hidrelétrica.
O criticado em questão ainda pensa sob um velho paradigma de "desenvolvimento"; aquela forma materialista de encarar o "desenvolvimento", como se "desenvolver" fosse continuar crescendo desse jeito: mais carros, mais consumo, mais e mais.
E hidrelétrica não é energia limpa. Inundações de ambientes orgânicos também liberam CO2, assim como as poluentes termelétricas; diz o artigo.
Outro dia pensei também na quantidade de seres vivos que devem morrer nas mega-inundações. Bichos que não são resgatados, pacas, veados, tatus, cobras. Pra que? Pra esse computador funcionar? Não justifica. Vamos achar um outro jeito de fazer. Que seja menos violento e mais harmônico.
...a permacultura busca otimizar gastos energéticos e maximizar o aproveitamento da energia para atender várias necessidades antes que ela se dissipe.
O conceito de zonas da permacultura ajuda a pensar um assentamento humano, tanto no nível familiar quanto a nível de sociedade. Na zona 0, o ambiente em que se passa o maior tempo. Na zona 1, o que é prioritário e precisa estar mais próximo. Na zona 2, aquilo que precisa ser visto todos os dias. Em resumo, a pessoa precisa se posicionar próximo daquilo que mais necessita. E essa afirmação traz implicações globais.
Como é que pode o alimento ser cultivado longe das cidades, onde ele é consumido? É um gasto energético altíssimo. Não é a toa que dependemos de combustíveis fósseis para trazer pra perto de nós o alimento que garante nossa subsistência. E gastamos enorme energia ainda para tirar do subsolo o petróleo que será responsável por transportar nossas necessidades; aquilo de que precisamos e que já não sabemos, nós mesmos, produzir sozinhos - o que é vital para nossa sobrevivência e que ninguém mais sabe fazer com as próprias mãos: alimento, abrigo, um pouco de descanso. Tudo isso foi terceirizado.
...a permacultura? Propõe uma volta que não é um passo atrás, mas um passo a frente numa espiral. Resgatar conhecimentos ancestrais que possam ensinar ao homem, finalmente, que é possível ser inteligente sem romper com a Natureza, ou o Criador, a Fonte.
A seguir, uma crítica à reportagem do Fantástico (da Globo) feita por um cientista integrante de um Painel de 40 especialistas que fizeram uma análise do Estudo de Impaco Ambiental da Usina hidrelétrica de Belo Monte, na Amazônia. Ele afirma que a reportagem não contemplou a versão dos cientistas e técnicos que criticam o projeto.
18/05/2010 - 11h05
Belo Monte no Fantástico: o desaparecimento dos especialistas
Por Rodolfo Salm*, do Correio da Cidadania
No dia 16 de abril, quatro dias antes do fictício leilão da hidrelétrica de Belo Monte, um produtor do Fantástico telefonou-me, marcando uma entrevista com a repórter Sônia Bridi para a semana seguinte. Assim, recebemos no feriado de Tiradentes a equipe do programa na Faculdade de Ciências Biológicas da UFPA, em Altamira, e gravamos à beira do rio Xingu. Temos aqui três representantes do Painel de Especialistas, que é um grupo de 40 cientistas de renomadas instituições de pesquisa (USP, UNICAMP, ITA, UNB, UFRJ, UFPA, UFPE, UFSC, INPA e Museu Goeldi, dentre outras) responsável pela leitura crítica do Estudo de Impacto Ambiental de Belo Monte, que atestou sua inviabilidade. Eu e o professor Hermes de Medeiros da Faculdade de Biologia esforçamo-nos ao máximo para falar à jornalista sobre os vários aspectos desta possível tragédia: as mentiras segundo as quais se trata de uma "energia limpa"; que produziria muita energia; que é viável economicamente; e que não destruiria o Xingu ou a Amazônia.
Perguntado sobre o que Belo Monte precisaria para ser viável, respondi que um projeto de barrar o Xingu seria desastroso sob quaisquer circunstâncias e que esta obra, se levada a cabo, poderia resultar na destruição de metade da floresta Amazônica, num efeito dominó marcado pela profunda intensificação da força de todos os principais agentes de desmatamentos: a pecuária, os madeireiros, as invasões de florestas públicas e de terras indígenas etc. A jornalista nos adiantou que não haveria muito tempo disponível para nós na matéria que iria ao ar, que conseguira apenas cinco minutos para tratar do assunto e que ainda entrevistaria um representante do Consórcio Belo Monte, organização local que defende a construção da usina.
No domingo 25 de abril, o Fantástico, para minha decepção, além de não incluir na edição da reportagem nem uma frase nossa, com a exceção das falas dos índios, deu todo o espaço para a manifestação dos defensores da obra.E, pior, deixou truncada a única e isolada frase em referência ao Painel de Especialistas, possivelmente criando uma confusão para o telespectador médio e não sintonizado com a guerra que se trava em torno desta obra. Neste trecho, o responsável pelo projeto, Maurício Tolmasquim, garante "uma vazão que seja condizente com a manutenção da piscicultura, a manutenção da navegação, com a manutenção da vida das comunidades que vivem do rio".
Trata-se de uma mentira. Mais uma da infindável série de mentiras disparadas sem constrangimento pelos proponentes da obra (tal como a maior de todas, de Lula, que afirmou em 22 de julho de 2009 durante reunião com importantes personalidades contrárias à obra, incluindo Dom Erwin, o bispo do Xingu, que Belo Monte não nos seria "empurrada goela abaixo"). Basta recordar as conclusões emitidas pela própria equipe de Licenciamento Ambiental do IBAMA, sobre a análise técnica do Estudo de Impacto Ambiental de Belo Monte:
"Ressalta-se que, tendo em vista o prazo estipulado pela presidência, esta equipe não concluiu sua análise a contento. Algumas questões não puderam ser analisadas na profundidade apropriada, dentre elas as questões indígenas e as contribuições das audiências públicas. O estudo sobre o hidrograma de consenso não apresenta informações que concluam acerca da manutenção da biodiversidade, a navegabilidade e as condições de vida das populações do trecho de vazão reduzida (que ocuparia grande parte da Volta Grande do Xingu, que teria a maior parte de seu fluxo de água desviado por canais colossais conduzindo-o às turbinas da hidrelétrica). A incerteza sobre o nível de estresse causado pela alternância de vazões não permite inferir a manutenção das espécies, principalmente as de importância sócio-econômica, a médio e longo prazo. Os impactos decorrentes do afluxo populacional não foram dimensionados a contento. Conseqüentemente, as medidas apresentadas, referentes à preparação da região para receber esse afluxo, não são suficientes e não definem claramente o papel dos agentes responsáveis por sua implementação. Há um grau de incerteza elevado acerca do prognóstico da qualidade da água, principalmente no reservatório dos canais", lê-se em trechos do documento.
O pior é que a edição do Fantástico, refere-se rapidamente ao Painel de Especialistas sem explicar do que se trata nem citar os problemas para os quais alertamos, talvez por tê-lo eliminado de última hora: "O risco de destruição foi apontado por um painel de 40 cientistas". Esta é uma afirmação forte, que pede algum detalhamento maior, além da imagem de algum desses cientistas. Afinal, temos representantes nossos e de praticamente todas as grandes universidades brasileiras! Mas ao invés disso o vídeo passa rapidamente à declaração enganosa de Maurício Tolmasquim. Assim, pode ter dado a impressão, ao telespectador desinformado (aquele que no começo da matéria perguntava se Belo Monte é um bar ou "alguma coisa ligada à moda") que o engenheiro do governo é o representante da equipe de pesquisadores que cientificamente condena o projeto!
Em outro trecho da reportagem dizem: "Os Araras vivem bem na curva da Volta Grande do Xingu, esse pedaço do rio que vai ter a vazão controlada. Depois de construída a represa, o Xingu não vai ter nem cheia, nem seca. Vai correr sempre no mesmo nível. O que os Araras temem é que o rio seque, a água fique quente demais e mate os peixes, que são a fonte da vida na aldeia". Na verdade, o mais grave não é tanto que quase 100 km do rio Xingu não teriam mais o ciclo de cheias e secas, mas que todo este trecho teria sua vazão extremamente reduzida. A vazão até poderia ser controlada sim (algo que nem poderíamos ter garantia, dada a seqüência infindável de mentiras acerca desta obra), mas em um nível extremamente baixo. E não são só os índios que temem que "a água fique quente demais e mate os peixes". Quem afirma que isso aconteceria, se essa obra for levada adiante, são os pesquisadores. Que acrescentam também que as poças criadas no
trecho de rio seco serão focos para a proliferação de pragas e doenças.
Apesar de quase toda a grande imprensa dar a construção da barragem como certa, não gostei do começo, quando, do alto da ilha Pimental, Sônia Bridi disse: "A barragem da usina de Belo Monte vai passar exatamente aqui". Eu preferia algo como "é aqui que pretendem construir...", pois não há nada de definitivo sobre Belo Monte, ainda mais por se tratar de um projeto caro, anti-econômico, destrutivo, conduzido com base na infração de diversas leis e no controle do Executivo sobre o Judiciário.
Além do mais, teremos as eleições presidenciais e, com relação ao leilão de Belo Monte, José Serracomentou: "Neste processo, houve tanta complicação ambiental e tanta falta de transparência que a gente sabe que vai haver problema. Dizia-se que era o capital privado, e a gente está vendo agora que é o governo. É uma coisa muito cara para você fazer de maneira atropelada". Pra piorar, o governo entra com todo o financiamento, todo o risco, mas não terá nada do controle, nem da gestão, pois as empresas estatais participantes têm ligeiramente menos que 50% de participação na usina.
(...)
Em favor do Fantástico, podemos dizer o programa conseguiu fazer em parte o que somos incapazes de fazer: colocar para a população, como um todo, o outro lado, os índios e as comunidades. Um programa popular, falando de seus medos, do impacto da usina em suas vidas. Toda a situação em torno de Belo Monte é tão absurda que mesmo uma reportagem falha ainda assim termina servindo-nos bastante.
*Rodolfo Salm, PhD em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, é professor da Universidade Federal do Pará.
Esta é a divulgação de uma vivência para coletar e tratar varas de bambu para a construção do Domo Geodésico do Instituto de Permacultura Ecovida São Miguel.
Nesse primeiro momento, dias 5 e 6 de junho, a vivência terá como foco a primeira parte do processo, que é o manejo correto do bambu para que ele tenha durabilidade em qualquer tipo de uso: construções, móveis, utilitários, etc. A prática será coordenada pelos permacultores do Instituto de Permacultura Ecovida São Miguel, que tem ampla experiência com o uso do mesmo para atender as necessidades de construção e design do Instituto.
A permacultura tem por princípio o CUIDADO com o planeta Terra e com as pessoas, e a divisão igualitária dos excedentes de produção, numa lógica que é contrária a do lucro. A partir da observação dos padrões naturais, o(a) permacultor(a) cria soluções que aproveitam os recursos de forma sistêmica, com otimização do gasto energético, transformando em insumos os resíduos gerados. Uma das principais aplicações da permacultura é o design de assentamentos humanos ambientalmente sustentáveis, socialmente justos e economicamente viáveis.
Muito boa a reportagem do Último Segundo,iG. Recomendo a leitura:
No 1o. duelo, Marina é a mais aplaudida
Correndo por fora, pré-candidata ganhou a plateia ao abordar temas espinhosos, enquanto Serra e Dilma polemizaram sobre repasses.
*Por Ricardo Galhardo enviado a Belo Horizonte*
Com uma forte gripe a senadora Marina Silva foi a mais aplaudida no primeiro encontro entre os três pré-candidatos à Presidência, na tarde desta quinta-feira, em Belo Horizonte. Líderes nas pesquisas, o tucano José Serra e a petista Dilma Rousseff polemizaram sobre os repasses de verbas federais para os municípios e a possibilidade de uma reforma tributária profunda. Correndo por fora, Marina ganhou a plateia ao abordar temas espinhosos da vida política brasileira e pontos da agenda municipalista caros às dezenas de prefeitos que formavam a plateia.
Foto: Agência Estado
Dilma, Marina e Serra durante encontro em Minas
Os três pré-candidatos concordaram quanto à necessidade de criação de um fundo de royalties para a exploração mineral cujos principais beneficiários seriam os prefeitos mineiros. O primeiro a sugerir a ideia foi o tucano. Nenhum deles disse como pretende implementar a proposta. Serra, Dilma e Marina também concordaram quanto à necessidade de uma reforma tributária profunda e, principalmente, sobre a dificuldade da empreitada.
Logo na primeira intervenção a pré-candidata do PV abordou temas como o transporte escolar, o Fundo de Participação dos Municípios, a emenda 29 (que transfere recursos para a saúde) e a necessidade de criação de um mecanismo de transferência automática de recursos federais, para que os prefeitos não dependam da boa vontade ou da orientação partidária dos ministros. Muitos prefeitos que esperavam um discurso exclusivamente voltado para a questão ambiental se surpreenderam.
Dilma se limitou no início a elencar os inúmeros programas de parceria entre o governo federal e os municípios desfiando números e valores. Serra falou de suas realizações em prol das prefeituras na Assembleia Constituinte, no Ministério da Saúde e de sua experiência de pouco mais de dois anos como prefeito de São Paulo.
Os dois líderes ensaiaram uma polêmica sobre as compensações oferecidas pelo governo federal aos municípios em decorrência das perdas de arrecadação provocadas pelas isenções de ICMS e IPI concedidas para aliviar os efeitos da crise financeira global.
Dilma disse que o governo Lula foi o primeiro a conceder tal benefício às prefeituras. Serra rebateu dizendo que o repasse foi de R$ 2 bilhões mas as perdas de R$ 3,5 bilhões. Dilma se defendeu alegando que todos, inclusive o governo federal, tiveram perdas e os R$ 2 bilhões foram fruto de negociação com os prefeitos. Serra, por fim, admitiu que a isenção foi uma medida positiva para a economia em geral mas defendeu a criação de um mecanismo de repasse automático para que o governo federal não faça "generosidade com o chapeu alheio".
A polêmica foi um exemplo do comportamento dos líderes. Serra criticava ações do governo dizendo que poderia ter sido feito mais e Dilma rebatia com números mostrando os saltos obtidos em relação à gestão de Fernando Henrique.
Enquanto Dilma prosseguia com as realizações do governo Lula e detalhando projetos futuros como o PAC 2 e o Minha Casa Minha Vida 2, Serra tentava demonstrar bom humor. Ele fez uma inconfidência ao revelar que Dilma torce pelo Atlético Mineiro e tentou contornar o mal estar quando percebeu a desaprovação da petista, alvo de uma vaia dos cruzeirenses na plateia. "Não se preocupe com isso Dilma porque em São Paulo eu também torço pelo time que tem menor torcida, o Palmeiras",
Depois fez uma piada com o mediador, Fernando Mitre, que a toda hora avisava os pré-candidatos que eles tinham 45 segundos para terminar a resposta. "Não sei o que é 45. Daqui a pouco vai ter processo na Justiça Eleitoral. O que é 45?", questionou Serra. O número do PSDB é 45.
Embora tenha feito críticas, o tucano tomou cuidado para não passar a imagem de opositor e faz diversos afagos a Lula. Serra usou os cinco minutos de sua intervenção final distribuindo "créditos". O primeiro foi para Marina Silva e o senador Tião Vianna (PT-AC) pelo empenho na aprovação da emenda 29, o segundo para Dilma e Lula. "Quando fui prefeito Dilma não fez nenhuma discriminação à minha cidade e ao meu estado, ela e o Lula", disse.
Marina correu por fora
Já Marina, apesar da forte gripe que tornava ainda mais frágil sua voz, pairou ao largo da polêmica entre os líderes das pesquisas. A senadora do PV colocou o dedo na ferida ao dizer que a eleição não deve ser um plebiscito nem um embate entre as duas principais forças eleitorais do País mas sim um debate de propostas, ao criticar a lógica "de conveniência" da política tradicional e ao dizer que tanto o PT quanto o PSDB se aliaram ao que havia de pior na política brasileira quando assumiram o governo.
Neste momento Serra revelou que pretende convidar PT e PV a participar de seu governo e admitiu que a postura da oposição empurrou Lula e Fernando Henrique Cardoso para os braços do PMDB e DEM, respectivamente. Dilma, que espera ter um vice do PMDB, não se manifestou.
Marina distribuiu alfinetadas e afagos indiscriminadamente. Lembrou que a primeira marcha de prefeitos a Brasília foi recebida pela polícia em 1998, no governo FHC. Falou que as verbas de combate a enchentes para a Bahia foram canalizadas para os aliados do ex-ministro da Cidades de Lula, Gedel Vieira Lima (PMDB). Disse que Lula quebrou um paradigma ao promover crescimento econômico com distribuição de renda. Parabenizou Fernando Henrique por ter universalizado o acesso ao ensino básico.
Quando entrou no discurso ambiental, tentou trazer o tema para a realidade dos prefeitos. "Antes destas enchentes quem de vocês daria tanta importância para a necessidade de uma Defesa Civil forte nas suas cidades?", questionou.
Ao final, sintetizou o primeiro encontro entre os três pré-candidatos no painel "Autonomia Municipal: Realidade ou Utopia?" durante o 27º Congresso Mineiro de Municípios, em Belo Horizonte.
"Acho que foi um bom ensaio, Serra. Acho que foi um bom ensaio, Dilma. Viemos aqui para o debate e não para o embate", disse ela. Foi aplaudida pela pelos prefeitos, quase todos comprometidos com as candidaturas de Serra e Dilma.
Ok, no post anterior ficaram evidentes os argumentos dos críticos ao novo Projeto de Lei de Uso e Ocupação do Solo de Belo Horizonte, especialmente no que se refere à Emenda que cria a Ocupação Urbana do Isidoro, que seria uma nova Regional municipal, numa área que é um dos últimos redutos verdes da cidade.
Mas, os defensores da proposta, no caso, a maioria da Câmara dos Vereadores e a Secretaria Municipal de Políticas Urbanas, dizem que o Projeto vai mesmo é garantir a proteção ambiental da área do Isidoro, direcionando melhor a ocupação urbana, já que o lugar já está se tornando terra de ninguém e de ocupação irregular.
No gráfico abaixo, publicado no Jornal O Tempo, dá pra entender melhor onde fica isso. É um lugar muito bonito, abriga muitas águas e pássaros. O pessoal de lá faz trilhas e caminhadas e são encontradas inúmeras espécies medicinais.
Notícia publica no site da Câmara Municipal explica melhor o conteúdo da Emenda:
"De acordo com o projeto de operação urbana apresentado pela consultora da Prefeitura, a região será dividida em três áreas com graus de proteção diferente (grau de proteção 1, 2 ou 3). As áreas de grau 1 serão transformadas em parques públicos ou áreas de reserva particular ecológica (que são abertas ao público). As áreas com grau 2 e 3 poderão ter maior coeficiente de ocupação, com a área de grau 3 permitindo o maior adensamento urbano. De acordo com o projeto, todos os equipamentos públicos necessários para o funcionamento da área urbanizada (escolas, postos de saúde, etc.) seriam financiados em parte pelo setor privado por meio de um fundo da operação urbana, que prevê aportes do Executivo e contrapartidas do setor privado empreendedor. (Fonte: CMBH)
Essa nova regulamentação prevê que a área será ocupada, mas garante que as áreas verdes deverão ser de pelo menos 40%. Na Lei atual essa porcentagem é de 26% . Só que isso é o que está no papel, porque na prática o que temos é uma área particular praticamente 100% preservada, por um esforço do proprietário. Há uma pressão da cidade e das ocupações que começam a chegar, mas o fato é que a área está preservada; é a maior área preservada de Belo Horizonte.
Mas os críticos do Projeto, incluindo movimentos ambientalistas importantes, como o Projeto Manuelzão, relatam pouca participação social e debates com a população. O local, alvo da regulação, é inclusive área onde vivem comunidades quilombolas, mas essas pessoas e todas as que já vivem na região pouco sabem do projeto.
(Eu, pessoalmente, preferiria ver a área verde totalmente preservada, transformada em local produtivo da cidade; de uso sustentável... Imagina um lugar onde se pode plantar, manejar uma agrofloresta e nada num rio limpo dentro da cidade de Belo Horizonte. Seria um grande espaço para produção e comérciod e alimentos orgânicos, uma área de lazer, área de recarga hídrica e infiltração do subsolo. Enfim, uma área de suspiro para Belo Horizonte...Imagine...)
E, não esqueçamos: o PL 820/2009 não é só a emenda que cria a Ocupação Urbana do Isidoro Ele contém também outras questões bem polêmicas, que podem afetar áreas de preservação como a Mata das Borboletas.
Vetor Norte: tudo começou com a obra do Centro Administrativo
A ocupação da região do Isidoro e de toda a extensão Norte da capital parece ser um processo inevitável. A cidade vai começar a crescer mais para aqueles lados, já que o Centro Administrativo do Governo do Estado mudou pra lá. Os planos são de fazer a Vila da Copa naquela região. Só empresário metendo a colher. Vamos ver no que dá.
Para compreender melhor, as raízes disso tudo é bom pôr lupa no tal Centro Administrativo. A obra custou 1,2 bilhão de reais aos cofres públicos(não dava pra fazer algo melhor com esse dinheiro?? Casa popular, escolas, hospitais, revitalização de rios...) e sabe quem recebeu essa bolada?? As construtoras Andrade Gutierrez, Odebrecht, Camargo Corrêa, Mendes Júnior, Santa Bárbara, OAS, Queiroz Galvão, Via Engenharia e Barbosa Mello, as mesmas envolvidas com a polêmica construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (na Amazônia), que se recusaram a participar do leilão, exigindo mais garantias do Governo Federal e cobertura dos riscos. E o Governo vai fazer o quê? Financiar a obra com dinheiro do BNDES, 19 bilhões de reais, dinheiro público gasto com o que? e com quem?
E só pra acrescentar, voltando a Minas Gerais, a construção do Centro Administrativo (obra do Governo Aécio) gastou 26% a mais do que o previsto, ficou mais cara e o dinheiro vai pro bolso dessas construtoras. (Fonte: Portal Ecodebate)
É assustador o que está acontecendo em Belo Horizonte.
Primeiro, a proibição de eventos culturais na Praça Sete, belamente combatida por um grupo de jovens que tomou a PRAÇA transformando-a em área ocupada, PRAIA. Depois, o cancelamento do FIT - Festival Internacional de Teatro, evento tradicional da cidade, decisão que acabou sendo revogada. O FIT vai acontecer, mas a organização está completamente desarticulada, por causa de cortes e boicotes da Prefeitura.
E agora, uma campanha tem alertado a população para o Projeto de Lei 820/09 de reformulação da Lei de Uso e Ocupação do Solo da cidade. O Projeto, já aprovado em 1o. turno, será votado em caráter final na semana que vem, possivelmente em sessões extraordinárias, e até então não foi debatido com a sociedade. Áreas verdes como a Mata das Borboletas, no Sion, a Mata do Planalto e, o mais assustador, a Mata do Isidoro, na região norte, poderão ser extintas.
A chamada Ocupação Urbana do Isidoro permitirá a supressão dessas matas em benefício de interesses imobiliários. Serão 72 mil apartamentos ao valor médio de R$ 100 mil, numa área de 6 milhões de metros quadrados que concentra 29 nascentes e cursos d´água. A Prefeitura garante 50% de áreas verdes, mas os críticos alegam ser insuficiente.
Segundo reportagem publicada no Jornal O Tempo, a Prefeitura de Belo Horizonte ignorou um estudo encomendado em 2002 pela antiga administração, que classifica 29 cursos d’água da região do córrego do Isidoro como "classe especial", ou seja, são de grande importância ambiental. Ainda segundo o jornal, deverão ser reassentadas as famílias que vivem há anos na região, incluindo uma comunidade quilombola remanescente.
Já reportagem publicada no Jornal Hoje em Dia mostra que os empreendimentos servirão ao setor hoteleiro, num projeto que tem sido chamado de Vila da Copa, em referência à Copa de 2014. Segundo os defensores do projeto, a expansão urbana para aquela região, depois da mudança do Centro Administrativo do Governo Estadual, seria inevitável.
Segundo campanha promovida pelo vereador Iran Barbosa, para manter a nova fronteira de ocupação urbana, a Prefeitura (PBH) deve gastar mais de R$ 99 milhões, valor equivalente ao atual orçamento da Regional Venda Nova, que tem a mesma estimativa de população. Mas a arrecadação em IPTU que as novas moradias vão gerar é inferior a esse valor: R$ 50 milhões. Segundo procunciamento de Barbosa, em reportagem do Jornal Hoje em Dia, a proposta (que já tramita na Câmara desde outubro de 2009), se for aprovada, vai acabar com cerca de 6 mil metros quadrados de área verde. “Hoje é reserva ambiental. Eles querem revogar este status para passá-lo a área de preservação ambiental de grau dois. Assim, podem construir no local”, afirmou o parlamentar. As construções representam um acréscimo de 250 a 300 mil pessoas no Vetor Norte da Capital, mais trânsito para as avenidas Antônio Carlos, Pedro I e Cristiano Machado.
"Essa é a última área vazia, sem prédios de Belo Horizonte,e também das últimas com grande cobertura vegetal. A capital está totalmente construída, sobrando apenas 4% de áreas desocupadas. A Granja Werneck e demais regiões do Ribeirão Isidoro representam 90% dessas áreas que restam"- afirma o engenheiro Fernando Viana Werneck, um dos proprietários da Sociedade Anônima Granja Werneck, em reportagem de Flavia Ayer e Gustavo Werneck para o Jornal Estado de Minas.
A mobilização popular gerou ao menos requerimento de Audiência Pública, emergencial, antes que o Projeto seja votado.
EVENTO: AUDIÊNCIA PÚBLICA
Assunto: Alteração urbana da área do Isidoro, localizada na região norte de Belo Horizonte, provocada pelo Projeto de Lei 820/2009,
Data: 19/04 (segunda-feira)
Horários: 9 horas
Local: CMBH – Plenário Helvécio Arantes – Av. dos Andradas, n. 3100, bairro Sta Efigênia.
Dandara
Penso nas correlações que esse movimento de ocupação urbana do Isidoro pode ter com a repressão social e governamental que sofre a Ocupação Dandara, mais de 4000 pessoas sem-casa que foram viver em barracas pedindo a posse de uma antiga fazenda no bairro Céu Azul.
A área de 40 hectares, próxima à Lagoa da Pampulha, cuja propriedade é defendida por uma construtora, estava sem uso e sem função social. A construtora inclusive estava inadimplente com o pagamento de IPTU. Segundo artigo de Frei Filvander, a empresa deve mais de 2 milhões em imposto e "é ré em mais de 2.500 processos na justiça, o que pode ser comprovado nos arquivos do Tribunal de Justiça". As pessoas que para ali se mudaram pedem o direito básico de moradia; o direito à cidade.
A Ocupação Urbana do Isidoro, que leva o título desse post, vem responder a essa demanda por casa, mas apenas parte do empreendimento é destinado a moradias populares. O problema dos reassentamentos de quem já vive no Isidoro há anos é outra questão por resolver. E, ao mesmo tempo, diversos terrenos dentro de áreas nobres estão sem uso, à mercê da especulação imobiliária, desrespeitando a função social da propriedade, premissa básica do Estatuto das Cidades.
O pensamento de que pessoas como as que ocuparam a Fazenda no Céu Azul, da Ocupação Dandara, estão invadindo propriedades privadas e cometendo crimes não é exclusividade da Prefeitura. É reflexo de como pensam os belorizontinos, e mostra como a propriedade privada tornou-se maior do que a diginidade humana e o direito de abrigo. As pessoas estão ficando frias e pouco solidárias. Importa mais uma posse do que a solidariedade com quem precisa. Em recente reportagem no Jornal Estado de Minas a Ocupação Dandara foi taxada pelas pessoas como lugar de desordem e violência. A idéia é empurrar o problema da falta de moradia ao invés de ajudar a resolvê-lo.
A carta-resposta de um juiz que concedeu liminar favorável à Dandara no demorado processo para definir a posse do terreno é uma tentativa de enfrentar esses "medos" da sociedade mineira, publicada parcialmente pelo jornal. Leia a seguir:
"Li, com bastante atenção, a carta enviada à Redação pelo leitor Almir Pazzini Lobo de Freitas, intitulada “crítica à sentença a favor de invasores”.
A cartinha encaminhada pelo Sr. Almir demonstra uma grande indignação com uma decisão por mim proferida acerca de uma contenda envolvendo um imóvel de propriedade da Construtora Modelo Ltda, localizado na confluência de Belo Horizonte, Ribeirão das Neves e Contagem.
(...)
...o que busquei ao deferir a posse em caráter provisório para os moradores da Comunidade Dandara nada mais foi do que calcular o peso do direito à moradia no confronto com o direito à propriedade tendo como balança (ou fiel) a dignidade da pessoa humana, que são, os três, princípios constitucionais.
Esse cálculo quanto aos direitos em confronto mostrou o meu intento de evitar, ao longo do tempo (para o futuro), que mais pessoas continuem vivendo sem dignidade e que por isso não se realizem enquanto seres humanos. Assim, realmente não contabilizei os dinheiros que o Município de Belo Horizonte despenderá como prejuízos, mas como investimentos para elevar todos aqueles que estão desprotegidos socialmente em nossa Capital. Aliás , o Estado (Município, Estado e União) só serve enquanto se constituir em meio para realização do ser humano, e, por ser humano devemos ter em medida todos os brasileiros, independentemente da condição social.
Manoel dos Reis Morais
Juiz de Direito Titular da 6ª Vara da Fazenda Pública"
Mas a decisão do Juiz já foi sobreposta. A liminar que ele concedeu em favor de Dandara já não vale mais e o movimento de sem-moradia está prestes a ser despejado. Se forem expulsas de lá, para onde vão essas famílias? Certamente não para a tal Regional Isidoro já que os apartamentos construídos por lá serão vendidos à classe média. Como conciliar a cidade que não pára e só cresce com o direito de todos de ter um abrigo digno?
A ColunaMeioAmbiente é um espaço de circulação de informações sobre:
#permacultura, agroecologia e tecnologias alternativas;
#saúde holística, plantas medicinais, biomas como o Cerrado e suas culturas, ética e espiritualidade;
#modelos de desenvolvimento ecologicamente predatórios, socialmente perversos e politicamente injustos e suas consequências na vida de todos;
#novas organizações sociais e propostas de atuação que sejam alternativas aos modelos citados anteriormente.
Minhas aventuras íntimas, meus heterônimos (incluindo uma espécie de Santa Tereza que aparece de vez em quando) e meus pequenos experimentos estéticos. Um projeto que começou com o curso "Jornalismo 2.0". >> Em www.abocanhar.wordpress.com