Carnaval com cerrado, noite estrelada, moda de viola e ensinamentos ancestrais


Parece um carnaval para "nerds", mas descansa e diverte mais do que muitos outros carnavais. Além do mais, tem também moda de viola, noite estrelada e pessoas bonitas nesse carnaval. E o saldo de apenas um dia de vivência foi muito produtivo:

- um criadouro de minhocas que produzirão húmus a partir do composto feito com as fezes e restos do banheiro de uma casa.

- um ciclo de bananeiras, filtro natural, plantado na porta da casa, que trata naturalmente a água usada no chuveiro e no banheiro.

- uma parede de bambu a pique com adobe

e nos outros dias teve mais... muito mais...

Muitas pessoas preferem passar o carnaval assim; em mutirões produtivos, aprendendo e ajudando os amigos a construírem um pouquinho de seus lares.

Depois de passar por essas experiências, é fácil perceber que construir um lar ecológico é possível. Nessa casa de um casal em Lapinha, tudo é reaproveitado. As fezes do banheiro viram um super composto, ótimo para adubar as plantas. A água que alimenta a casa é captada da chuva e cai num reservatório. A água cinza usada na cozinha e na casa é limpa por filtros naturais e também volta para terra.

E para quem pensa que isso só dá para ser feito no mato, com um grande quintal, há exemplos de casas ecológicas na cidade.

Conhecemos uma garota que em plena Belo Horizonte construiu um sistema de tratamento da água da cozinha de sua casa, reaproveitando-a para irrigar suas plantinhas. Uma contribuição individual para o problema dos rios que recebem o esgoto das grandes cidades.

Apesar de haver em Belo Horizonte uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) com capacidade para tratar 100% do esgoto doméstico, a maioria do esgoto da cidade não é tratado. As ligações das redes de esgoto são muitas vezes clandestinas e caem direto na rede pluvial, que deságua nos rios, sem tratamento. Além disso, mesmo o esgoto que sai tratado da ETE não é totalmente livre de resíduos. O tratamento tem um índice de eficiência de 60%.

Por isso, pesquisar em sua própria casa o estado dos encanamentos e o destino de seu esgoto é uma grande contribuição. Reutilizar a água cinza, da roupa lavada, da cozinha, do banheiro é outro passo ainda maior, mas totalmente possível.


Com brita, aguapés e um espaço para construir um pequeno reservatório de cimento, faz-se um sistema de tratamento de água e ainda ganha-se um lago decorativo no quintal.

Fotos: 1) Marina Utsch
2) Retirada do site do IPEC (sem créditos no site)

2 comentários:

ViMoura disse...

O mais legal é saber que isso já tá deixando de ser atitude isolada, sem significado ou relevância! Enquanto várias pessoas passavam o carnaval na Lapinha, na casa que a Marina mencionou, outras tantas passavam os dias do feriado - o mais badalado do ano - no meio do mato, em Moeda, tomando chimarrão, conversando ao lado do fogão de lenha, vendo o céu polvilhado de estrelas, cozinhando coletivamente e tomando banho de cachueira... e com tempo de sobra pra construir coletivamente uma espiral de ervas medicinais, adiantar um alicerce de um futuro barracão de ferramentas, fazer o reboco (natural - barro, e bosta de vaca, basicamente) de boa parte da área externa de uma humilde casinha, tb contruída coletivamente de forma totalmente orgânica, além de plantar várias mudas próximas à mata ciliar do rio que nasce ali pertinho... E estou certo que espalhados pelo Brasil e pelo mundo cada vez mais pessoas despertam as suas consciências para a importância da sua participação nesse processo de salvar o planeta, dentro da parte que cabe a cada um de nós! toda revolução hoje possível, seja social, econômica ou ambiental, começa no despertar de consciência de cada um de nós. A partir desse despertar individual podemos nos somar as outras consciêncas despertas e nos tornar um coletivo biodinâmico, e espalhar as nossas sementinhas pelo mundo, e ver brotar os frutos que nossos filhos, netos e daí pra frente hão de colher, e plantar muitos outros mais!
Vi
Verde
ViVerde
ViVerdeLUZ

ViVerdeMoura

NAMASTE

Marina Utsch disse...

Valeu Vi...Obrigada pelo comentário...Temos de colocar os relatórios da Ecovida na rede, né?? Beijos, Marina